Estamos Formando Chorões nas Faculdades De RP?

Recentemente estive em uma palestra do Set Universitário (evento que ocorre anualmente na Famecos) e tive o prazer de ouvir a palestrante Suzana Vellinho dizer que o problema do mercado de trabalho é nosso. Que não sabemos nos mostrar. Que o profissional de relações públicas ainda não conseguiu dizer que é o gestor da comunicação. Sábias palavras.
Há uma onda de lamúrias rolando pelos corredores da faculdade de comunicação. Estas lamúrias dizem que o mercado não nos reconhece. Que não somos respeitados. Que não temos espaço nas organizações e mais e mais “choramingos”. O mais aterrorizante é que ouço isso dos novatos. Imagina: o cara mal entrou na faculdade e já está com essa idéia na cabeça? Troca de curso meu querido. Ou de postura.
Mas há um questionamento importante a fazer: será que ele aprende a se comportar assim na sala de aula?
Uma vez ouvi o Marcelo Chamusca dizendo que a arrogância dos jornalistas, a soberba dos médicos e a presunção dos advogados eram ensinadas no currículo. E perguntou: será que o currículo de Relações Públicas está ensinando os alunos a serem chorões?
Claro que ele estava generalizando. Nem todo jornalista é arrogante, assim como nem todo advogado é presunçoso, todo mundo sabe disso. Ele só estava se referindo ao estereótipo das profissões. Mas o nosso estereótipo está se consolidando como de chorões. É de chorar!
Você leitor, deve estar se perguntando, mas o que fazer diante disto? Não sou a dona da verdade, mas vou tentar responder esta questão. Primeiro: o profissional de relações públicas precisa conhecer sua profissão. Entender o seu papel. Se respeitar, ninguém adquire respeito se não se respeita. Segundo: mudar de postura. Assumir que o problema do mercado de trabalho é nosso, e não do mercado. Construir sua carreira e não ficar à espera de uma “plaquinha” de relações públicas na porta de sua sala.
E por fim, parar de chorar. Enxugue as lágrimas relações públicas, arregace as mangas e mãos a obra. Há muito que fazer pelas organizações e pela política brasileiras.

Texto cedido gentilmente pela aluna de Relações Públicas V semestre – Famecos/PUCRS Patricia Lima (http://patricialimadasilva.blogspot.com/)

Diretoria de Comunicação
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8 respostas em “Estamos Formando Chorões nas Faculdades De RP?

  1. Acho que o caminho é esse, nós na função de comunicadores precisamos saber dos problemas de cada instituição e, sendo assim, sabemos que nada tampouco ninguém é perfeito. Por isso como disse o Gustavo, atitude.Ps. Se descobrirem como fazer alguns colegas pararem com a lamúria, por favor me avisem…

  2. Oi! Obrigada pela honra do espaço.Defendo nossa categoria sempre e ver este trabalho reconhecido me enche de orgulho.Parabéns pelo blog. Adorei, Vou visitar sempre. E contem comigo pela valorização das RRPP. Se nos unirmos em breve seremos fortes.Patricia Lima

  3. esse lance de lamúria é meio cultural, as vezes nem tem pq vc se lamentar mas vc se lamenta manja… então talvez colocando a disposição das pessoas outros tipos de atitudes e novas maneiras de pensar a situação não se torne diferente. Isso leva tempo, porém é necessário.

  4. “Para a cura de problemas de mercado, crie um segundo mercado”. Parece ser essa a solução magna para todos os problemas atuais.É mais que isso: é o mote da nossa profissão.Quando as relações de trabalha se saturam, cria-se o mercado da cultura organizacional; quando os impactos ambientais se tornam agudos, saimos a procura de um programa de sustentabilidade ambiental… E assim vamos…No entanto, por tratar-se de uma resposta rápida, pode-se desconfiar de sua legitimidade quando empregada à questões mais complexas. Assim, quando dizem que o problema da inserção profissional de relações públicas é um problema de mercado, ficamos com fome e sede de solução e seguimos tentando a coisa mais desesperadora e imediatista possível (fomos criados pela “pró-atividade”, se lembra?): criamos um novo mercado. O mercado da “desculpa”. Nesse ponto, nossa amiga Patrícia parece ter refletido muito bem sobre a problemática da acomodação dos estudantes de rp.No entanto, o seu argumento tropeça no mesmo buraco que denuncia: o mercado de empregos não possui nenhuma filiação (seja ela sindical, ideológica ou mesmo “trabalhista”) que confira uma estabilidade de nosso exercício. E isso abre um espaço escancarado para que nossa profissão não se consolide como atividade, e sim como agência e participação no mercado de trabalho. Em outras palavras, nossos empregos – no fundo, é disso que estamos tratando – apenas estarão a salvo na medida em que nos abrimos para o mercado do jeito que ele se impõe. E isso implica em aceitar a descaracterização de nossa identidade, em nome da ocupação de vagas que nos servirão de vitrine.Nossa amiga Patrícia ainda brada um velho bordão da nossa profissão nos classificando como “gestores de comunicação”. Em quais condições podemos assumir esse papel, quando ainda não estamos completamente inseridos no mercado?Desse modo, enfraquecer a nossa profissão é o único modo de consolida-la, afinal, no mercado “tudo que é sólido se desmancha no ar” – e qualquer farelo é pão.

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