No balanço do ERERP…

O IV ERERP consolida a iniciativa de legitimar a atividade de Relações Públicas através da consciência estudantil e acadêmica (ou “o que foi mais divertido no ERERP desse ano”)

por Felipe Teram

A maioria das pessoas, estudantes de Relações Públicas ou não, solapam o real e abrangente significado de um evento. Talvez seja pela miopia em reconhecer sua potencial eficácia dentre os arranjos comunicacionais ou ainda porque o evento, traduzido na expressão “festinha”, seja o apêndice mais comum do preconceito à atividade de RP. Recentemente um interessante coletivo de estudantes de RP pôde sentir na pele e na cabeça uma dimensão mais profunda – e por isso menos propensa ao preconceito e à preguiça de pensar – sobre a importância de um evento.


Encontro dos Desencontros


Do dia 27 ao dia 29 de Novembro ocorreu em Londrina , na UEL, o 3º Encontro Regional de Estudantes de Relações Públicas – ERERP. Um evento que reuniu estudantes dos estados do Paraná e São Paulo, tendo como propósito promover a integração pessoal, acadêmica e (por que não?) afetiva de estudantes de RP. Poderíamos avaliar o fim do evento através de seu começo. No primeiro dia os estudantes assistiram à palestra de Rudimar Baldissera, graduado em RP e professor da Universidade Caxias do Sul (UCS) e FEEVALE (Federação de estabelecimento de ensino superior em Novo Hamburgo). Sua explanação abordou a dinâmica discursiva e sua contribuição para a reputação de uma organização, baseando-se na sua autoral terminologia de “imagem-conceito” e em estudos amparados pelos pensamentos de Stuart Hall, Clifford Geertz e Bakhtin. Sua palestra pôde ser lida como uma ressalva que professa pela complexidade dos receptores e pela incontingência do ambiente ante os exercícios da comunicação organizacional.

Poderia o leitor concluir que tratou-se de um evento que dá continuidade à gama de congressos e palestras cuja relevância dita as regras das trocas de conhecimento no âmbito acadêmico das Relações Públicas. Vá com calma: o ERERP tem a ver com a ruptura desses padrões. O espírito está mais propenso à afetividade e ao (des)encontro do que aos protocolos de INTERCOM’s, ABRAPCORP’s e ERP’s espalhados pelo Brasil. Dentro da variada programação, o fundamental está no além-sala, nas relações sociais praticadas ao gosto da espontaneidade. Por que?

Prioriza o coloquial ao colóquio porque é assim que ganham espaço as novas reflexões: num diálogo. Comprovando: aproximadamente 48 horas depois da explanação de Baldissera, os participantes do evento encontravam-se no alojamento, convidados a uma grande festa. É possível dizer que, apesar de menos rético e meticuloso que nas palestras, o fluxo de informação e de trocas de ideias tenha sido na ocasião mais fluído e sedutor, e por isso, talvez, mais efetivo. O álcool e a piscina ajudaram, é verdade.


Um lugar chamado Londrina

A 3ª edição do evento foi organizada pelos estudantes de RP da UEL, localizada numa próspera cidade do interior do Paraná onde vivem 500.000 habitantes. Permanente participante do ERERP, todos esperavam do evento a mesma assertividade com que a universidade costuma ser considerada uma das mais excelentes na área de comunicação do Brasil. O pandemonium dos calendários acadêmicos de todo o Brasil causado pela gripe suína, no entanto, inviabilizou a satisfação das grandes expectativas. Lidando com pouco tempo e dinheiro, agenciaram um verdadeiro ato de persistência ao manter o evento. Alojamento confortável, saídas à noite e todo o suporte organizacional foram os grandes méritos da comissão organizadora que também mostrou grande solicitude e generosidade ao atender pedidos e urgências dos participantes.

Todavia, alguns dos principais atributos do ERERP tornaram-se coadjuvantes em seu curso. Talvez a gana da comissão em demonstrar a mais bem intencionada hospitalidade tenha interditado a voluntariedade e autonomia coletiva, que em contrapartida ofereceu uma série de temáticas de discussão apontadas ao profissionalismo e à prática acadêmica. As palestras ocuparam um espaço disforme no espírito desembaraçado do encontro: muitas horas dedicadas a temas como “Ética e reputação”, práticas profissionais e o exercício do discurso político. Nessas condições, a substância fundamental – resultante do encontro de estudantes de diversas regiões – se deu na informalidade não contemplada pela curadoria do evento que transmitiu às festas, e tão apenas a elas, a maior participação nesse quesito. Não se tratou de algo tão grave: ser uma terceira edição confere aos deslizes característicos de aprendizado.


Plenária, Pleito e Plenitude


Dia 29 de novembro, após a apresentação e troca de ideias entre as empresas juniores, ocorreu a plenária do ERERP. Para muitos é o momento mais importante: quando ocorrem as principais discussões, abordando sempre os acertos, os erros e as novas perspectivas para a próxima edição do evento. No geral, a maioria observou que o ERERP tem de fato de se dedicar com mais afinco ao seu caráter estudantil, em detrimento do acadêmico, mas que havia cumprido, baseado nas consequências do todo, o objetivo.

O ponto alto deu-se na escolha para a sede da próxima edição. Pela primeira vez, duas universidades, tradicionais participantes do evento, se candidataram ao posto de comissão organizadora do V ERERP: PUC Campinas e a Universidade Metodista de São Bernardo. Antecedida por uma acirrada disputa, a seleção se deu por voto e a PUC Campinas foi a escolhida. O amadurecimento e o gostinho de “quero mais” já estão criando uma grande expectativa para 2010.

Comunicar é convergir desencontros. E o que está envolvido no jogo afetivo e político do ERERP é a consolidação de uma unidade pouco fecunda quando as mentes estão separadas e desalojadas de um sentido de generosidade. Como promover a reunião do que é diferente? O olho no olho e a afeição física sugerem o melhor modo de fazê-lo: é assim que reconhecemos o quanto somos iguais e nos desarmamos de preconceitos, orientações acadêmicas e pretensões individuais. Acompanhando os avanços e aprendizados conquistados, podemos ser otimistas de que estamos conseguindo.


Tudo isso, só por causa de uma “festinha” de três anos…


Diretoria de Comunicação

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3 respostas em “No balanço do ERERP…

  1. Muito bom o post. Bem explicativo! Parabéns."O amadurecimento e o gostinho de 'quero mais' já estão criando uma grande expectativa para 2010".É isso ai – e que venha 2010! Não vejo a hora.Abraços,Belle

  2. Adorei o Post…toda a comissão organizadora do III ERERP…agradece a Unesp pelo apoio efetivo…=) estamos tbm com gostinho de quero mais…que venha o ERERP 2010na PUC CampBeijosAmanda Meyer e Alana Volpato

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