Relações Públicas, una Passione

Nesta última semana aqueles que não estão acostumados a acompanhar os capítulos da novela global Passione, da rede Globo (que detêm a maior audiência nacional em telenovelas), voltaram suas atenções para um fato curioso. O personagem Fred (Reynaldo Giannecchini), antagonista da trama, teve ao seu dispor o cargo de Relações Públicas na empresa fictícia Gouveia Metalúrgica.
De modo bem claro e direto a justificativa para este fato foi a seguinte: “Fred não entende nada de negócios, tem boa aparência, é articulado, fala bem e não pode perturbar as reuniões da diretoria da empresa”. Mesmo tratando-se de uma obra de ficção e a proposta sendo feita por um personagem (Saulo) considerado ignorante, ao oferecer o cargo de RP a uma pessoa sem a menor qualificação para a função, o autor da novela, Silvio de Abreu, permitiu que os relações-públicas demonstrassem seu repudio com o fato ocorrido.
O principal argumento que acredito podermos utilizar para desbancar o erro é esclarecer de toda maneira que Relações Públicas é uma atividade regulamentada pela LEI Nº 5.377, DE 11 DE DEZEMBRO DE 1967, ou seja, para exercer o cargo é necessário ser bacharel.
Não é a primeira vez que isto acontece, em 2008, na novela Beleza Pura (a qual Silvio de Abreu era supervisor de texto), a personagem Suzy tornou-se Relações Públicas de uma clínica estética. É fato, quando um bom vivant precisa de alguma ocupação o cargo de RP parece se encaixar perfeitamente.
Diante de situações como essas, nos defrontamos com o velho problema de nossa profissão, o de defender nossa verdadeira atuação, principalmente no mercado de trabalho. É visto aqui, uma oportunidade para os alunos e profissionais de Relações Públicas manifestarem sua posição diante de cenas que, apesar de citarem o nome da profissão, acabam estereotipando e diminuindo a importância desta última.

Clóvis Moscardini Jr.
Aluno do 5° termo de RP da Unesp Bauru
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4 respostas em “Relações Públicas, una Passione

  1. Adorei o título do post! E realmente, é triste ver nossa profissão sendo tratada com tanto descaso em uma novela de grande audiência como a novela das 8 da Globo. Devemos nos unir e lutar contra essa imagem errônea e estereotipada que é passada sobre o relações públicas, assim como todas as outras classes tem o direito de protestar quando se acharem disciminadas.

  2. Eu acho que voces estão reclamando a toa. Engenheiros passam por situações semelhantes constantemente, nem por isso sentem-se tão lesados, tampouco ofendidos… Quem sabe a preocupacao com a mídia, inerente da sua profissão, seja responsável por tamanho alarde. Mas não vejo a profissão de RP diminuida por ignorância do autor, só estranho a situação gerada, sugerindo que os profissionais de RP tem baixa auto-estima, ou coisa do gênero.

  3. Estudei e redigi uma monografia no 1º ano de meu curso, envolvendo a Revista Raça Brasil e o papel do negro na sociedade brasileira. Na época a Globo estava transmitindo uma novela com um negro corrupto, vivido por Milton Gonçalves. Analisando toda a história do negro, eu e meu grupo, em cima de um embasamento teórico pesado, pudemos concluir que realmente isso influencia (e muito) na concepção que a sociedade forma de um grupo, por vezes involuntariamente. Estereótipo, agregação de valor, comunicação de massa, ideologia: tantos termos a se analisar a fundo não podem ser colocados como brincadeira.É engraçado, um tanto quanto cômico ler, após isso, um comentário desses como o do leitor "Bruno". Entretanto, é curioso ver que mesmo contrariado, ele visita um blog de RP para se informar, informa-se em um espaço com textos escritos por alunos dessa duvidosa "baixa auto-estima, ou coisa do gênero". E não é, pois então, uma contradição divertida esta que presenciamos? Estimo, com o perdão da palavra, que a "baixa auto-estima" que lhe compete deve estar um tanto quanto prejudicada – senão por completo-, com tamanhas colocações infundadas sobre o assunto, desculpe colega!

  4. Só para esclarecer a dúvida do Bruno. A questão não é necessariamente o fato do autor colocar o personagem vilão como sendo um Relações Públicas. A preocupação dos profissionais de RP com o que aconteceu é devido à caracterização da profissão pelo autor. Na cena, o personagem deveria ser RP simplesmente por ser "bonito" e "falar bem". Para isso não são necessários 4 anos de faculdade! A profissão de RP ainda é relativamente pouco conhecida, se em uma novela de alcance nacional a definição é essa a repercussão é negativa. Não vejo motivo para uma discussão com o Bruno que escreveu o post, mas é necessário um esclarecimento. Se em uma novela um personagem sem formação alguma fosse designado como engenheiro só pra ter um emprego seria uma situação parecida, apesar de todos sabermos que não é posível exercer a profissão sem a devida formação. A questão é justamente essa.

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