Respostas e culpados: afinal, quem levanta a taça?

O Brasil não venceu a Copa do Mundo de Futebol, e já começou o julgamento do(s) possível(is) culpado(s). Essas parecem ser as premissas que norteiam o pensamento de muitos brasileiros e da opinião pública em uma situação e relação tão delicada e inconstante como essa. Podemos observar que é da própria cultura do brasileiro se indignar quando o país perde nas competições em que tradicionalmente a nação tem êxito. No caso, o culpado, segundo grande parte, é o treinador, ou todo o elenco e o técnico, ou até mesmo as principais “estrelas” como Kaká, Luís Fabiano e cia, além de Dunga, é claro.

Deixando de lado a parte técnica do futebol apresentado pela seleção brasileira, o fato é que sabemos da importância e do poder da Copa do Mundo perante o público brasileiro e, devido a esse fanatismo, pressão e obsessão da torcida, sempre aparecem os culpados quando há um fracasso. Comparemos com nossa vizinha Argentina, tão fanática e poderosa quanto o Brasil: o time foi desclassificado em uma derrota por 4 a 0, contudo foi ovacionado em sua chegada à Buenos Aires. Por outro lado, o Brasil coloca Felipe Melo, Dunga e outros nos Trending Topics do Twitter e crucifica sua seleção. Claro, é doloroso vermos o Brasil não jogando o futebol característico e que marcou o país no cenário mundial, contudo, as respostas do público brasileiro também são ofensivas e, de certa forma, desnecessárias.

Surgindo para “apimentar” a relação seleção-torcida, pudemos ver o peso da imprensa, principalmente de algumas emissoras de Televisão, que mantinham uma postura explicitamente contrária ao técnico Dunga, principalmente: o desentendimento do treinador com jornalistas, Alex Escobar da Rede Globo, por exemplo, e as postagens no Twitter do narrador Milton Leite – “@miltonleitereal” – “Dunga diz que recuperou o prestígio do futebol brasileiro. Aqui na África só ouvi gente dizendo que o Brasil não jogou como Brasil; E a CBF precisa parar de fazer de conta que não tem nada a ver com os erros dos técnicos. Já foi assim em 2006 e se repete agora”, além da reportagem bastante ofensiva feita por Marcos Uchôa que foi exibida no Esporte Espetacular do dia 04/07/2010.

Manifestações como essas, multiplicadas, procurando reiterar a inexperiência de Dunga no cargo, dentre outras medidas punitivas, abalam a imagem da seleção e principalmente do treinador com o público.

Como consequência dessa modelagem da imprensa, o foco deixa de ser a seleção brasileira em si, em que há um desvio para um julgamento daqueles que fizeram com que a seleção canarinho perdesse um mundial, como se isso fosse o fim dos tempos. Além disso, quem terá como a primeira imagem de Dunga aquela do capitão do tetra, erguendo a taça na copa de 1994 nos EUA?

É nítido que o ex-treinador da seleção cometeu erros com um público delicado, acredito que ele entenderá o princípio-base do que causou o surgimento das Relações Públicas, realmente ter a ideia de que “o público que se dane” (frase dita por William Henry Vanderbilt em 1882, nos EUA) não pode acontecer. Contudo, é necessário por parte da mídia e da população brasileira encarar o fato de maneira diferente, já que esse julgamento com a seleção só aumenta a mágoa e conturba a relação com algo que sempre foi motivo de alegria para os tupiniquins. Talvez seja melhor assistirmos ao término da Copa e entrarmos com tudo, e com um pensamento diferente, para o prosseguimento das atividades da seleção.

A consideração para com a seleção fará dela mais respeitada internacionalmente e que em 2014, no Brasil, possamos mostrar ao mundo a alegria de ser brasileiro.


Felippe Ferro

Diretoria de Comunicação

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3 respostas em “Respostas e culpados: afinal, quem levanta a taça?

  1. Como já diria um amigo, Kleyton Vendrame. "Todo brasileiro se acha tecnico de futebol e publicitario". A frase justifica as criticas sem fundamento que a populaçao brasileira faz erroneamente tanto sobre futebol como por campanhas publicitarias. Nós como RPs devemos tentar educar nosso públicos mas enquanto não conseguimos precisamos aprenser a trabalhar com nossa dificuldades.

  2. Como já dito: "O futebol é a mais importante das coisas que não importam.", principalmente no país que mais possui destaque e tradição nesse esporte. A questão que interessa aos estudiosos e profissionais da comunicação e das Relações Públicas é como trabalhar imagens e até gerir crises nesse sentido. Deixando um pouco de lado a seleção e observando os clubes, podemos perceber que atualmente a comunicação tem sido levada com seriedade, clubes como o Corinthians e o Palmeiras, por exemplo, têm tomado diversas medidas de aproximação com os torcedores. Talvez seja o momento da equipe de comunicação da seleção planejar atitudes mais eficazes de relacionamento.

  3. Óbvio que o comportamento do técnico Dunga iria refletir em uma enorme retaliação, uma vez que ele acreditava (ou pelo menos demonstrava) estar contra 190 milhões de pessoas. Ao contrário de Diego Maradona que pelo menos passou a sensação de que a o time argentino voltou a jogar aquele futebol de garra. Maradona soube usar seu status de ídolo a seu favor, enquanto o nosso Dunga conseguiu "se queimar" de uma forma que a sua imagem como símbolo da coragem brasileira em campo não será característica principal nas mentes das novas gerações.

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