Relações Públicas e o Terceiro Setor.

O terceiro setor vem sendo reconhecido como importante esfera de atuação civil e tem crescido no Brasil, embora atue em parceria com o poder público (primeiro setor) e com o setor privado (segundo setor). O terceiro setor abrange entidades sem fins lucrativos, organizações privadas mas de caráter público, que atuam a serviço dos interesses coletivos.
Contudo, apesar da expressão “terceiro setor” ser usada quase naturalmente no dia a dia das organizações, no mundo acadêmico há a tendência de caracterizá-lo como um bloco homogêneo, mas há controvérsias sobre a imprecisão dos seus conceitos e sobre o real sentido da emergência deste segmento para a sociedade. Foi retirada do Estado a responsabilidade de intervenção na ‘questão social’ e transferida para a esfera do ‘terceiro setor’. Essa dinâmica modificou o sentido das relações entre o setor público e o privado: privatizou-se a esfera pública e publicizaram-se os interesses privados.
Todavia, apesar da existência de contradições internas, o terceiro setor representa um ganho no processo de ampliação do exercício dos deveres e direitos de cidadania, principalmente tratando-se de um país como o Brasil, marcado pela desigualdade no acesso às benesses do desenvolvimento.
A comunicação, no âmbito do terceiro setor, parte de forças diferentes que atuam e se articulam em conformidade com seus interesses. Neste sentido, esta pode ser agrupada em três modalidades:
a) comunicação dos poderes públicos com o terceiro setor: entende-se aqui a comunicação de órgãos públicos nos âmbitos governamental, parlamentar e jurídico na relação com o terceiro setor;
b) comunicação de empresas com o terceiro setor: nesta modalidade são incluídos tanto os institutos, fundações e organizações similares de base empresarial como os programas sociais desenvolvidos (ou apoiados) diretamente por empresas a partir da perspectiva da “responsabilidade social” ou “empresa cidadã”;
c) comunicação das ONGs, movimentos sociais, associações comunitárias e similares: neste contexto, está em questão a comunicação do terceiro setor, ou seja, os processos comunicacionais das organizações entre si com a sociedade e com os públicos beneficiários de suas ações.
A partir dos conceitos tradicionais de públicos em Relações Públicas é possível caracterizar e orientar os relacionamentos das duas primeiras categorias de atores – dos poderes públicos e das empresas/fundações – com o terceiro setor. Entretanto, é diferente o tratamento das Relações Públicas para com a terceira categoria.
Os processos comunicacionais que transcorrem as atividades no universo das organizações do terceiro setor visam: a) mobilizar os segmentos beneficiários da ação; b) efetivar as mudanças pretendidas; c) tornar as organizações conhecidas e respeitadas pela integridade de suas ações e propostas; d) angariar apoios e recursos financeiros; e) tornar públicas as propostas fundantes da razão de ser da instituição e assim mudar a cultura e solidificar propostas transformadoras na sociedade.
É importante dizer que uma classificação de públicos como esta é apenas uma possibilidade. Afinal, é preciso pensar os públicos segundo a situação que envolve cada programa e as características de cada organização sem fins de lucro, especialmente no que se refere ao processo de relacionamento e consequentes canais de comunicação implementados.

Camila Ribeiro
Diretoria de Comunicação
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