Vestibular: terrorismo ao desenvolvimento

Não é de agora que questões polêmicas surgem a partir do modo como as vagas às grandes Universidades no Brasil são preenchidas.

Ao mesmo tempo que a cobrança de conteúdo é grotesca o esvaziamento humanístico de seus candidatos torna-se evidente.

Como sobrar tempo para se dedicar ao que gosta com profundidade sendo que a disputa por vagas, sobretudo ao ensino superior público, é acirrada?  A maioria de nós passou por isso. Esquivou-se dos gostos pessoais para sacrificar horas da vida em prol de digerir conteúdos enciclopédicos que serviriam somente para a aprovação no vestibular e hoje de nada mais valem.

Sem Título-1

 Os dilemas da educação no Brasil são muitos e um deles é seguir as diretrizes curriculares para garantir aos estudantes uma formação humanística, que respeite a diversidade cultural e os conscientize de seus direitos.

Olhe para trás e reflita sobre a sua vida no ensino médio e compare quantas vezes a escola o incentivou a aprofundar-se em seus gostos complexos e pessoais ao invés de o martirizar com anos de matéria insuportável unicamente para ser aprovado no vestibular e trazer a ela ranking como uma das escolas que mais aprova. Pura jogada! A escola privada, no caso, tornou-se uma indústria, um negócio. E a pública muitas vezes nem esse “título” alcança…

O Brasil é privilegiado por comportar universidades públicas de excelência e reconhecimento mundial e isso se deve muito ao foco em pesquisa que elas têm desenvolvido ao longo dos anos.

Com isso reflete-se sobre a questão de que o pesquisador é antes de tudo um questionador, um crítico e com sua busca frenética por respostas a pesquisa e o desenvolvimento são meio e consequência, respectivamente.

Agora como despertar o senso de curiosidade nos indivíduos que entrarão nas universidades sendo que muitos de seus gostos são por anos reprimidos em prol da carga abusiva de conteúdo que tem que estudar para garantir para si algo que é de direito: o ensino público de qualidade.

Temo que todo esse método retrógrado seja a ferrugem na engrenagem do desenvolvimento do país. Funciona mal e lentamente.

Talvez o momento que vivamos seja um forte aliado para a reconstrução do conceito de ensino. A tecnologia massiva pode e deve ser uma ferramenta presente nos meios pedagógicos para tornar a educação mais atrativa e dinâmica. Ninguém aguenta um monólogo sem um bocejo!

Salas Informatizadas Oppitz - Mauricio Oppitz (11)

Mais do que isso as formas de se ofertar vagas ao ensino superior público tem sim que estarem em constante debate e avaliadas por todos que tenham interesse.

Poderiamos optar que o vestibular fosse substituído por bancas examinadoras de projetos. Os aspirantes às vagas (ou novos vestibulandos) apresentariam suas ideias de desenvolvimento social e estas passariam por um processo de seleção e se aprovados garantiriam seu espaço na universidade para que assim fossem perpetuados. Sonho? Creio que não! Temos recursos para tal… mas talvez não saibamos, pois no tempo em que deveríamos nos aprofundar sobre o país que vivemos estávamos preocupados em passar no vestibular…

Vitor Zangerolamo

Consultor de Comunicação

 

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