O jogo só acaba quando termina?

O Brasil é mundialmente reconhecido como o país do futebol. Está introjetado em nossa cultura, em nosso DNA, as práticas futebolísticas desde criança, a “pelada” do final de semana,  o futebol de domingo à tarde na TV e, até mesmo, o “R” hiperbólico de RRRRonaldinho imortalizado por Galvão Bueno.  Segundo o sociólogo e professor de Sociologia da Unesp Waldenir Caldas: “O futebol é visto pelos estudiosos como uma das três maiores expressões do nosso povo, ao lado da religião católica e do samba. Somos conhecidos como ´a maior nação católica do mundo e o país do futebol com samba na veia”

Devido a essa paixão e à qualidade técnica dos jogadores que aqui iniciam suas carreiras, o futebol é um assunto recorrente nas grandes mídias tanto nacionais quanto internacionais. No dia 8 dezembro o Campeonato Brasileiro, também conhecido como “Brasileirão”, principal torneio de futebol nacional, conheceu os quatro times que disputarão a Copa Libertadores da América bem como aqueles que jogariam a série B no ano de 2014, (uma vez que, pelo atual modelo de pontos corridos do Campeonato, o campeão, Cruzeiro, já havia sido definido com rodadas de antecedência).  Para alguns, o apito final significou o fim do jogo, para outros ele só foi estopim para uma nova partida. Isso porque o Supremo Tribunal de Justiça Desportiva – STJD, entrou com um recurso contra a Portuguesa alegando que esta, havia escalado um jogador de forma irregular.  O time paulista perdeu, com isso, 4 pontos, e foi rebaixado no lugar do Fluminense; A Portuguesa está recorrendo à decisão. Essa não foi a primeira vez que o time carioca foi, de alguma forma, beneficiado em competições nacionais.

Como contrapartida, em 2010 o STJD teve uma postura diferente com o Duque de Caxias e com o próprio Fluminense que, na ocasião, escalaram jogadores irregulares. A equipe do Rio nesse ano foi campeão do Campeonato Brasileiro mas com a punição, não o seria.

O campeão de 2013, Cruzeiro, também escalou um jogador irregular sendo enquadrado no mesmo artigo da Portuguesa nº214, porém o time foi inocentado.

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Pode isso Arnaldo? No Caso, o time mineiro foi absolvido sem ter que pagar nenhuma multa. Foi considerado que o erro pela escalação do jogador irregular foi da Federação Mineira e não do clube.

Diante desses fatos, e sob a ótica de um relações-públicas a questão que vem à tona é: como ficará a imagem do futebol brasileiro no ano que o país sediará a Copa do Mundo perante um episódio como esse?

Logo no título “Acesso ao escritório” o Diário Olé deixou clara a sua opinião sobre o ocorrido, destacando o “fato incrível” da falta de regularidade de resultados de um time que no ano anterior havia levantado a caneca do mesmo campeonato.

Outro ponto levantado pelo Diário Olé e também pelo site italiano Goal foi a comemoração dos torcedores das laranjeiras diante dos fatos.  “O que não foi digerido é o fato de que se fez uma grande defesa em tribunal de uma equipe que teve uma temporada mais do que decepcionante. Mas, ao contrário disso, houve a alegria dos fortes torcedores do “Fluzão”. Eles acreditam que o time será capaz de, no próximo ano, lutar para vencer a competição no Brasil.” (site italiano Goal).

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No cenário nacional, o assunto foi tratado com indignação, deboche e ironia por parte dos outros times.  Mas também houve quem apoiasse a decisão. O presidente do Fluminense expôs sua opinião à favor da equipe que defende: “Fico lastimando toda essa discussão, e a antipatia sendo injustamente carreada para o lado do Fluminense. A lei se aplica a todos. Você, não tenha dúvida de que a Portuguesa será punida. O Flamengo também. Não precisa haver dolo. É uma infração culposa”,  bateu o martelo ao jornal Extra. 

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O problema não permeia o “simples fato de um time ser rebaixado porque escalou um jogador irregular”. Isso, aliás, é justo, justíssimo. Afinal, a regra é clara. O problema é estrutural. Está no histórico de ajudas e recompensas àqueles que tem poder, está na corrupção, na mala preta… E isso não abrange apenas o futebol. Reporta aos nossos atos, a nossa forma de pensar, a nossa permissividade, porque, afinal, o futebol é uma das nossas maiores representações culturais.  Será que a Portuguesa, na situação do Fluminense, conseguiria obter, mesmo que por hora, resultado semelhante? Provavelmente não.

A imagem que passamos para o mundo e para nós mesmos é que somos infelizmente um país no qual usam-se diferentes formas de avaliar e punir o mesmo problema, cuja lei não vale para todos. Um país da malandragem onde os torcedores vibram por seu time conseguir “dar um jeitinho” fora de campo mesmo com um futebol digno de série B. É um péssimo marketing especialmente no ano que sediaremos a Copa do Mundo. Permitindo uma possível associação, em relação ao Brasil e a uma imagem negativa de que os assuntos são resolvidos por “de baixo dos panos”. Gera-se um clima de desconfiança e incerteza.

Mas o jogo ainda não acabou. Devemos deixar os brasões que tanto veneramos em segundo plano e estender, com tudo o que significa nesse momento, a bandeira do futebol. Lutar pela paz nas arquibancadas, por condições melhores de trabalho aos jogadores e correr atrás da justiça aonde quer que ela esteja. Essa é a única forma de sermos todos campeões.

Fontes:

Terra

Templo do Esporte

Lance Net

Yahoo Esporte Interativo

Gabriela Vasconcelos

Consultora de Projetos

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