O RP no Vaticano

Que o relações-públicas trabalha com inúmeros setores e atende a variadas necessidades todos sabemos. No entanto, por vezes fica complicado explicar sua real função em uma determinada instituição já que ele pode executar diversas tarefas e vir a se envolver em situações embaraçosas.

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A Coca-Cola recentemente enfrentou uma situação complicada com sua imagem institucional e que poderia ter ferido seu relacionamento de confiança com o público, envolvendo restos de um animal em um de seus produtos, o refrigerante de Cola. Para isso, o setor comunicacional da empresa se empenhou em resolver o caso lançando, entre outras ações, um vídeo mostrando como funciona o processo de produção de seus refrigerantes, abrindo as portas da fábrica para que o consumidor pudesse ver e entender como a Coca-Cola trabalha e voltar a confiar em seus produtos.

A empresa Ades enfrentou uma crise semelhante, na qual certa quantidade de uma solução química foi encontrada em seus sucos, causando grandes constrangimentos a empresa e desconforto ao público. O caso não morreu no silêncio. A Ades fez uma propaganda informando que os consumidores prejudicados teriam todo o apoio da empresa para o que viessem a precisar e claro, pediram desculpas pelo ocorrido.

Em ambos os casos, vemos uma realidade empresarial, de itens que durante sua produção tiveram algum tipo de problema e causaram uma crise para a empresa. Mas e quando essa crise não é em uma empresa comum? Quando ela está inserida em um meio tão tradicional que qualquer mínima mudança pode transformar a realidade?

Estamos falando do Vaticano. A Cidade Santa. Berço da Igreja Católica que recebe todo ano milhares de visitantes e fiéis e que está recebendo, desde a nomeação do Papa Francisco muitas críticas e comentários devido a grande mudança de gestão que está sendo aplicada no tratar da própria religião e da relação de seus fiéis com a Igreja Católica e suas regras até então intocáveis.

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O ponto principal em questão está no fato de que o atual papa vem se posicionando de maneira muito diferente e até mesmo oposta ao que o conclave está acostumado. Declarações como “não há fogo no inferno, Adão e Eva não são reais” tem dado trabalho ao Vaticano, que vem tentando encobrir ou modificar as palavras do papa em entrevistas ou ao vivo perante os homens.

Outro novidade, é a atenção dada aos gastos da Igreja. O papa Francisco iniciou uma “caçada” em busca de respostas e nomes dentro da própria Igreja que justifiquem alguns números que não batem no final da conta. Fato é que ninguém nunca teve acesso aos investimentos da Igreja, seja no próprio Vaticano ou em outros lugares em que a Igreja está presente. No entanto, agora tudo isso parece estar aparecendo aos poucos, e com certeza vem chateando algumas pessoas.

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O papa argentino também tem agido fortemente contra os escândalos da Igreja, como os casos de pedofilia que assombram a reputação do catolicismo, fora seu passado já registrado com muitas guerras e conflitos com outros povos. Por esse exato motivo, o papa decidiu mudar, decidiu tomar uma nova postura perante os passos da Igreja e torna-la mais transparente.

O que mais impressiona em todo esse contexto de mudança, é o fato de que pela primeira vez estamos tendo a oportunidade de ver como funciona a Igreja Católica, mesmo que não em sua totalidade. Esse homem, além de demonstrar uma bondade fora do comum, um senso crítico que não encontra fronteiras, e um sentimento de justiça e verdadeira fé, vem provando por meio de palavras e atitudes, que a Igreja pode e deve acompanhar as mudanças do mundo atual.

A Igreja Católica diminuiu muito seus número de fiéis nos últimos anos, dando grande espaço para religiões como o islamismo (que já ultrapassou a Igreja Católica) e o protestantismo. Não temos mais, hoje em dia, a mesma realidade que nos anos 90, ou nos anos 20, muito menos quando comparada aos tempo bíblicos. Por isso, o papa vem insistindo na sua ideia, que pessoalmente acredito ser, mais inovadora, que é a de modificar aos poucos e atualizar os dizeres da Igreja para o que temos hoje.

É claro que para recuperar um número de fiéis, é importante que a Igreja mantenha sua doutrina, mas que não seja extremista a ponto de seus seguidores não terem condições sociais e culturais de acompanha-la. Esse é o quesito até então mais discutido, cada caso com sua particularidade, dentro da Igreja.

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O setor comunicacional, a relações-públicas do Vaticano vem se empenhando para ajudar a manter a moral e as aparências da tão tradicional Igreja Católica. Mas como fica então a relação entre os velhos fiéis e os novos que a Igreja vem tentando conquistas? Nos deparamos então com um conflito de público ou de identidade da própria Igreja? O que resta agora é esperar pelos próximos passos do Papa Francisco e aguardar como a mídia vai reagir, e como o Vaticano irá nos transmitir as informações, se de forma clara ou alterada. Fique de olho.

Isabella Lima

Diretora de Gestão de Pessoas

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