Ela disse ao mundo: Eu sou Malala

No dia 9 de outubro de 2012, um ônibus escolar deixava a escola Khushal, no Vale Swat, noroeste do Paquistão e seguia rumo às casas das 20 meninas que preenchiam todos os bancos daquela Toyota Townace branca. Tudo seguia de maneira corriqueira, era um dia normal, o percurso escolhido pelo motorista era o mesmo, mas a calmaria não durou muito tempo. Enquanto atravessava a cidade, um homem entrou no meio da estrada forçando o motorista a parar. Enquanto ambos discutiam, um jovem entrou no ônibus e perguntou quem ali era Malala, embora ninguém tenha se pronunciado verbalmente, todos os olhos se voltaram para uma menina que se sentava ao fundo com duas amigas. Foi o que bastou para o jovem concluir que era quem procurava. As ações seguintes foram rápidas, ele sacou um revolver e disparou três vezes em direção à garota atingindo-a na cabeça e também ferindo suas duas colegas, no ombro e na mão.

A menina de 14 anos que levou o tiro na cabeça era mesmo Malala e caso ainda não a conheçam, lhes apresentarei, agora, essa garota que hoje é um símbolo internacional de coragem e esperança.

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Malala Yousafzai se tornou uma figura pública em 2008 por defender, já com 11 anos de idade, o direito das meninas a educação depois que os talibãs tomaram o controle do Swat, proibindo-as de ir a escola. Seu pai é o fundador da escola onde estudava e sempre deu grande apoio ao posicionamento crítico da filha. Motivos esses pelos quais a jovem foi alvo do tal ataque que mais tarde foi assumido como sendo de autoria do próprio talibã.

No dia do atentado, Malala foi rapidamente socorrida e a partir desse momento passou a ganhar os olhos do mundo. A atenção que seu caso obtivera, fez com que ela fosse transferida para um hospital na Inglaterra. Embora seu estado fosse grave, a bala não havia atingido seu cérebro, o que aumentava as chances de sua recuperação.

Após ter ficado mantida por dez dias em coma induzido no hospital Rainha Elizabeth, em Birmingham, Malala despertou sem sequelas, surpreendendo a todos, entretanto ainda permaneceria internada por cerca de mais três meses.

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Nesse momento o nome da jovem paquistanesa já rodava por todo o mundo e para cuidar de sua imagem entrou em cena uma das maiores empresas de relações públicas do mundo, a Edelman, que tem como alguns de seus maiores clientes, empresas como Microsoft, Adidas, Starbucks e Samsung.

Além de dispor de um dos mais conceituados diretores da Edelman, Jamie Lundie, especialista em discursos políticos, Malala ainda conta com uma equipe dirigida por mais quatro estrelas de assessores e consultores. Segundo a própria empresa, seu papel é atuar principalmente como gabinete de imprensa da família, além de gerir todo o interesse público e dos meios de comunicação da campanha de Malala.

O trabalho deu resultados rapidamente, em menos de um ano surgiu a autobiografia “Eu sou Malala”, além do “Malala Fund”, criado para arrecadar recursos para a educação de garotas, e de um documentário que será lançado em 2014 para disputar o Oscar. Ademais, Malala ainda foi indicada e forte candidata ao Prémio Nobel da Paz  em outubro; além de vencer o prêmio europeu de Direitos Humanos. Sua coragem e inteligência, somadas ao excepcional trabalho de relações-públicas por trás de sua figura, transformaram-na em uma ativista conhecida mundialmente.

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O caso de Malala pode ser admirado por diversos aspectos, seja por sua recuperação surpreendente, por sua luta incansável ou até pela megaoperação para promover sua imagem e voz. O fato é, que essa jovem tem muito a dizer e merece ser ouvida, como ela mesma disse em sua auto biografia  “Não quero ser conhecida como a menina que sobreviveu a um ataque talibã, mas a menina que luta pela educação. Quero dedicar minha vida a esta causa”. Ainda ouviremos muito o nome de Malala Yousafzai

Fica aqui como mensagem, o discurso feito por ela na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, no dia do seu aniversário de 16 anos.

Caio de Michel

Trainee de Comunicação

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Vestibular: terrorismo ao desenvolvimento

Não é de agora que questões polêmicas surgem a partir do modo como as vagas às grandes Universidades no Brasil são preenchidas.

Ao mesmo tempo que a cobrança de conteúdo é grotesca o esvaziamento humanístico de seus candidatos torna-se evidente.

Como sobrar tempo para se dedicar ao que gosta com profundidade sendo que a disputa por vagas, sobretudo ao ensino superior público, é acirrada?  A maioria de nós passou por isso. Esquivou-se dos gostos pessoais para sacrificar horas da vida em prol de digerir conteúdos enciclopédicos que serviriam somente para a aprovação no vestibular e hoje de nada mais valem.

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 Os dilemas da educação no Brasil são muitos e um deles é seguir as diretrizes curriculares para garantir aos estudantes uma formação humanística, que respeite a diversidade cultural e os conscientize de seus direitos.

Olhe para trás e reflita sobre a sua vida no ensino médio e compare quantas vezes a escola o incentivou a aprofundar-se em seus gostos complexos e pessoais ao invés de o martirizar com anos de matéria insuportável unicamente para ser aprovado no vestibular e trazer a ela ranking como uma das escolas que mais aprova. Pura jogada! A escola privada, no caso, tornou-se uma indústria, um negócio. E a pública muitas vezes nem esse “título” alcança…

O Brasil é privilegiado por comportar universidades públicas de excelência e reconhecimento mundial e isso se deve muito ao foco em pesquisa que elas têm desenvolvido ao longo dos anos.

Com isso reflete-se sobre a questão de que o pesquisador é antes de tudo um questionador, um crítico e com sua busca frenética por respostas a pesquisa e o desenvolvimento são meio e consequência, respectivamente.

Agora como despertar o senso de curiosidade nos indivíduos que entrarão nas universidades sendo que muitos de seus gostos são por anos reprimidos em prol da carga abusiva de conteúdo que tem que estudar para garantir para si algo que é de direito: o ensino público de qualidade.

Temo que todo esse método retrógrado seja a ferrugem na engrenagem do desenvolvimento do país. Funciona mal e lentamente.

Talvez o momento que vivamos seja um forte aliado para a reconstrução do conceito de ensino. A tecnologia massiva pode e deve ser uma ferramenta presente nos meios pedagógicos para tornar a educação mais atrativa e dinâmica. Ninguém aguenta um monólogo sem um bocejo!

Salas Informatizadas Oppitz - Mauricio Oppitz (11)

Mais do que isso as formas de se ofertar vagas ao ensino superior público tem sim que estarem em constante debate e avaliadas por todos que tenham interesse.

Poderiamos optar que o vestibular fosse substituído por bancas examinadoras de projetos. Os aspirantes às vagas (ou novos vestibulandos) apresentariam suas ideias de desenvolvimento social e estas passariam por um processo de seleção e se aprovados garantiriam seu espaço na universidade para que assim fossem perpetuados. Sonho? Creio que não! Temos recursos para tal… mas talvez não saibamos, pois no tempo em que deveríamos nos aprofundar sobre o país que vivemos estávamos preocupados em passar no vestibular…

Vitor Zangerolamo

Consultor de Comunicação

 

A União faz…um Centro Acadêmico!

Representatividade estudantil. “Calma calma, não priemos cânico!”, não é mais um manifesto Marxista ou um chamado à luta com o movimento estudantil. É apenas uma asserção sobre algo que deveria ser comum a todos.
O que um Presidente, um escritor e um fundador de universidade têm em comum? Hum? Todos fizeram parte de um Centro Acadêmico. Jânio Quadros, Monteiro Lobato e Julio de Mesquita Filho. Pessoas com certo nível de reconhecimento. Alguns exemplos de estudantes que em sua época participaram desse importante órgão de representação.
Mas eu não quero ser presidente, nem escritor, nem… (bom, talvez abrir uma faculdade particular de dinheiro, enfim!), eu também não. Quero trabalhar numa multinacional, quero organizar eventos grandes e ser super rico e reconhecido. Não quero fazer passeatas e piquetes em prol da educação. Eu também.
Mas aposto que, como eu, você também gostaria de ter uma melhor formação acadêmica. Com aulas melhores, professores melhores, recursos melhores. Por exemplo, durante todo o primeiro semestre de 2008, os alunos do primeiro ano de graduação da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da UNESP de Araraquara poderão assistir aulas de matéria optativa ministrada pelo C.A. de Farmácia.
As aulas acontecem às terças-feiras, a partir das 17h e abordam diversos temas de interesse dos alunos. Para ministrar estas aulas são convidados professores, alunos da graduação, membros do centro acadêmico e especialistas das diversas áreas de interesse.
E não foi preciso fixar cartazes por murais, fazer greve, manifestações em frente a departamentos, ou qualquer tipo de atitude que cause estranhamento a outros estudantes. Foi preciso só um pouco de organização e boa vontade. E voltando, o interesse a uma melhor formação.
A cidade de Ourinhos possui um Campus experimental da UNESP, onde funciona o curso de Geografia. O centro acadêmico “Aziz Ab´Saber”, passou um ano organizando eventos culturais, festas entre outras coisas para arrecadar dinheiro. Com esse dinheiro foi comprada, à vista, uma máquina copiadora de alta tecnologia. Com isso os estudantes ganharam uma opção de local para tirar suas cópias. Além disso, o centro acadêmico oferece bolsas salário para alunos que trabalhem 2 horas por dia.
Qual o diferencial destes estudantes? Será que o curso de farmácia possui alguma matéria que fale sobre política ou representatividade? Será que o curso de geografia proporciona aulas de planejamento, logística ou empreendedorismo?
Ou talvez o que diferencie mesmo estes estudantes é o interesse?
Por que nosso Centro Acadêmico está desativado? Por que não possuímos representatividade perante departamentos, diretorias e reitorias?
Agora sendo um aluno de Relações Públicas eu pergunto, será o nosso curso tão empresarial que faz com que pensemos que o C.A. é um refúgio para militantes do movimento estudantil e nada tem a ver com nossa formação? Será muito acadêmico e pouco mercadológico pensar em uma formação melhor? Qual a sua justificativa para não participar? O que você acha de quem participa?

Fica a provocação.

Texto escrito e enviado pelo aluno do sexto termo de Relações Públicas: Lucas Grilli Maia, que apresenta sua visão sobre o assunto.
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