Crise além das quatro linhas


Que a nossa Seleção Brasileira de futebol anda vivendo dias nebulosos, não é mais novidade pra ninguém. O último jogo contra a seleção alemã confirmou o que todos temiam: a crise que se abate na equipe. A derrota por 3 x 2 no Mercedz Benz Arena, não decretou apenas uma fase ruim dentro do gramado, suas consequências refletem bem melhor fora dele.

Atletas considerados geniais e supervalorizados no mercado da bola estão sumindo das técnicas de passes, gols e pênaltis, e aparecendo mais em merchandising. Neymar, Elano, Pato, Ganso e companhia limitada são mais bem vistos em peças publicitárias ou capas de revistas do que no próprio campo.

A situação anda tão complicada nos bastidores, reflexo das más atuações da equipe, que os patrocinadores – parceiros da CBF – estão repensando nas quotas publicitárias da Seleção. As marcas andam desembolsando valores que seriam pagos se o Brasil ainda mantivesse a primeira posição no ranking da FIFA (atualmente, 4ª colocada).


Como gerir essa crise além das quatro linhas? – Assessores de imprensa, de imagem e relações-públicas presentes, qual a melhor maneira de recolocar os astros da bola no meio futebolístico? – Seria então a hora de apagar os holofotes comerciais, por tempo indeterminado, e focar na produção dentro de campo? Conversar com os clubes, com os empresários, a fim de projetar uma imagem apenas de jogadores, como funcionava no tempo do Pelé?

Nesse jogo de cifras milionárias, contratos publicitários andam valendo muito mais do que resultados e o próprio futebol arte. A nova tarefa dos profissionais de comunicação pode ser, quem sabe, ministrar um ‘túnel do tempo’, mostrando a importância do futebol e dos craques de bola, para um país que deposita tanto nesse esporte, como o Brasil.

Fica aí a proposta para uma realidade contemporânea e o aguardo dos próximos capítulos dessa que parece ser a nova novela brasileira.

Fonte:

Lidia Wagner
Diretoria de Qualidade

Gestão de crise: Arezzo




Uma das temáticas mais polêmicas no século atual se refere à preservação e a consciência ambiental. O uso de peles de animais para a confecção de roupas e acessórios é uma prática pré-histórica. Porém, com a evolução da humanidade, criaram-se meios de fabricá-las, sem que exista a necessidade de abater qualquer tipo de animal.

Embora as pessoas possam não conhecer detalhadamente o processo cruel pelo qual passam os animais, está é um
a questão bastante conhecida, já que casos envolvendo o uso de peles não ocorrem isoladamente.

A Arezzo lançou na última semana a coleção “Pelemania”, na Oscar Freire em São Paulo. Ricos e famosos compareceram à divulgação. Além disso, a marca optou por divulgar o evento em ações nas mídias sociais, como o Twitter e o Facebook, que possui mais de 25 mil seguidores: “Confira em nosso Facebook as fotos do lançamento da coleção Pelemania que aconteceu ontem na flagstore da Oscar Freire: http://ow.ly/4BiLR”

A coleção feita com pele de animais causou uma mobilização nas redes sociais, milhares de internautas se posicionaram contra a Arezzo em seus Twitters e Facebooks. A campanha foi um dos assuntos mais comentados nos trending topics, com o uso das hashtags: #arezzofail, #pelemania, #arezzo, entre outros. Contudo, a empresa permaneceu em silêncio e deletou os comentários em sua Fan Page no Facebook, até que a situação atingisse seu ápice. Quando isso ocorreu, eles anunciaram um comunicado oficial em suas redes sociais e em seu site oficial, do qual vale à pena destacar algumas partes: “Não entendemos como nossa responsabilidade o debate de uma causa tão ampla e controversa”(…)“Um dos nossos principais compromissos é oferecer as tendências de moda (…)” e “(…) estamos recolhendo em todas as nossas lojas do Brasil as peças com pele exótica em sua composição (…)”.

Logo se vê como a empresa não soube lidar com a questão e diversos fatores podem ser apontados. Primeiramente, a sociedade atual é marcada por sempre estar engajada com a temática do ambientalismo, logo, fazer uma coleção com pele de animais não foi ao encontro destes valores contemporâneos. Segundo, quando uma empresa se lança nas redes sociais deve estar preparada para lidar com qualquer tipo de comentário em relação à sua marca. Terceiro, a demora para responder aos comentários só aumentou ainda mais a polêmica. Quarto, a Arezzo esperou muito para dar um feedback aos seus consumidores e quando anunciou seu discurso, não fora convincente, o que mostra os milhares de comentários em sua Fan Page no Facebook.

Não há dúvidas de que a imagem da Arezzo está manchada. Faltou para lidar com esta situação um “social media” que soubesse gerenciar eficientemente a polêmica nas redes sociais. Houve sim, falta de planejamento tanto na área do Marketing, como na parte de Relações Públicas. A tendência atual é que estas duas esferas trabalhem unidas e não em concorrência, como geralmente ocorre, pois só assim será possível desenvolver ações rápidas e eficientes para gerenciar crises como esta, além de estratégias para, mesmo que a empresa quisesse de fato criar esta coleção, seu lançamento fosse menos conturbado.

Fica claro como o meio digital tem poder no contexto atual e como a Arezzo está envolvida em uma grande crise de imagem. Logo, pode-se ver como a imagem reflete na reputação da marca, que por conseguinte resulta do bom relacionamento desta com a sociedade, fator determinante em um cenário no qual o consumidor é a chave para o sucesso de uma organização.

Jéssica Fleckner
Diretoria de Comunicação

Comunicação Colaborativa

Na esfera organizacional há uma espaço cada vez menor para decisões centralizadas, o que pode ocasionar por diversas vezes interações através de ferramentas digitais, a nova sociedade passa então a englobar um número de indivíduos cada vez mais conectados e com opiniões cada vez mais antagônicas.

É de suma importância que os comunicadores atuem eficientemente na hora de realizar este canal que leva a informação ao receptor, já que este intercâmbio é afetado de acordo com a perspectiva da atual geração virtual. Surge neste ponto o fator Comunicação Colaborativa, muito utilizada pelas empresas para lidar com os públicos estratégicos. Através das ferramentas colaborativas – mídias sociais – ocorre o compartilhamento de processos, campanhas institucionais, políticas de motivação, além da possibilidade de fomentação das discussões sobre produtos e resultados, integrando o consumidor ao desenvolvimento organizacional.

Uma grande preocupação das empresas se refere à imagem institucional, pois a crise corporativa é uma questão cada vez mais presente no cotidiano das instituições. Depois da “geração.com” e a proliferação das mídias sociais para aumentar o impacto dos negócios na era digital, vemos inúmeros cases de fracasso. A internet amplifica a dimensão humana, porém se tratando de ferramentas colaborativas e crise institucional a questão nunca deve ser levada como simples multiplicação de distância, mas também como fator fundamental do processo de maximização da mesma, tendo em vista que estas passaram a funcionar como o Ombudsman 2.0.

Deste modo, surge o termo RP 2.0 que será o fator chave na gestão de crises, que utilizará os recursos tecnológicos disponibilizados pela internet para influenciar positivamente os públicos de interesse das organizações, buscando construir reputação, otimizando a percepção de uma imagem positiva, informando e persuadindo os stakeholders, tudo isso proporcionado por intermédio de uma flexibilidade de comunicação aberta e dialógica de relacionamentos mais próximos entre as instituições e seus públicos.

Jéssica Fleckner
Diretoria de Comunicação